segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A verdade está lá fora...

- É sério, eu soube disso ainda ontem.

- Impossível!

- Cara, é verdade! Fonte garantida!

- Porra nenhuma!

- Tô te falando. Não é desses boatos de internet não. Meu irmão disse que viu.

- Deixa de ser mentiroso, essas coisas não existem.

- Rapaz, eu ia tá aqui botando minha mão no fogo se não fosse garantido?!

- Cara, tu bota a mão onde quiser, só não vem com uma besteira dessas pra cima de moi.

- Tem até foto! Tu acha que imagem mente? Nunca ouviu falar que uma imagem vale mais do mil palavras?

- É, mas uma imagem montada não vale nem uma mariola. Tu é muito ingênuo...

- Então tá! Não quer acreditar, não acredita. Mas dizem que existe mesmo uma adolescente, parece que no norte do Canadá, que não gosta de Crepúsculo, que não passa nem amarrada na porta do cinema que estiver passando Lua Nova, e diz até que esse negócio de vampiro adolescente marombado é coisa de quem não tem mais o que fazer.

- Mentiroso da porra...

Quem acredita vê...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Bowie e o Barão

Alguém aí já ouviu falar em José Maria da Silva Paranhos?


Ninguém?


Renomado Diplomata, Ministro de Estado, geógrafo e historiador, o cara suou a camiseta para adicionar todas essas funções, e outras mais, ao currículo.

Mas você deve mesmo conhecer o camarada pelo seu tão propalado título nobiliárquico de Barão do Rio Branco.

Ainda nada?

Mas quantos anos você tem? Vinte e cinco???

Ah! Então está explicado. Pois o grande barão, que além de todas as funções já citadas, virou sinônimo de 1000, ao figurar altivo e garboso na boa e velha (mais velha do que boa, na verdade) nota de Cr$1000,00 (mil cruzeiros, para quem não está acostumado a esssas velharias), hoje ostenta, tímido, seu bigodão na moedinha de R$0,50. Santo rebaixamento, Batman!


Olha o bigodão aí, geeente!

E o David Bowie? Esse você deve conhecer...

Ahn?!

Não me venha de novo com essa conversa de vinte e cinco anos! Velho é o cacete! Esse você tem de conhecer!

Você sabe: nascido David Robert Jones na Inglaterra, estreou nas paradas desde 1969 e deve ter gostado da coisa, pois está nas bocas até hoje. Pioneiro do Glam Rock, camaleão do rock, dizem que tirou o nome artístico das facas Bowie, blá, blá, blá... Então, esse mesmo.

Mas o que o vetusto bigodudo e o camaleão tem em comum?

Se alguém me perguntasse isso eu responderia o óbvio: nada.

Mas isso foi até a semana passada.

Depois que eu comprei um gravador de DVD de mesa, com HD e funções de edição, passei a ter o costume de gravar alguns programas de videoclipes antigos com o objetivo de alimentar a leve nostalgia que acomete aqueles que se aproximam dos quarenta. E, dia desses, acabei captando uma música do Bowie da qual eu gosto muito, e que tem um dos clipes mais loucos da história da música moderna e pré-histórica: Loving the Alien, do álbum Tonight, de 1984.

Enquanto assistia ao desfile de sandices, me aparece em cena Bowie, como que vestido para um casamento inglês acompanhado de uma mulher trajando algo parecido com uma burka afegã, meio avançadinha, já que mostrava todo o rosto e as mãos (que pouca vergonha!). E, enquanto a música transcorria, a moçoila resolve arrancar notas de dinheiro presas ao vestido e atirá-las no cantor.

Quando de repente, aquilo! Naõ! Seria verdade?! Volta para ver de novo, e mais uma vez e mais uma. De repente, ficou claro. Não havia dúvidas. Tinha um Barão preso no vestido da dona! Eu nunca vi disso in my life!

Como pode uma coisa dessas?

A prova do crime.


Um cara com libra e dólar pra gastar à vontade, se contentando com merrecas, quero dizer, cruzeiros!

Será que as vendagens não estavam assim uma Brastemp, ou era caso de mãodevaquite aguda?

Fico até imaginando o louro entrando num ônibus e já mandando:

- Senhores passageiro, eu podia tá matâno, eu podia tá roubano, eu podia tá fazendo um monte de coisa ruim, mas estou aqui humildemente pedindo um trocado para fazer um videoclipe completamente sem sentido...

Ou mesmo fazendo uma aliança nefasta com Vagner Love e o pessoal da facção IVO (Impenhados na Vitória de Osasco).
Para quem achou essa minha frase mais sem sentido que um clipe do Bowie, e (ainda) não é fã do Champ, recomendo que clique aqui.

Resumindo, isso tudo deve ter algum significado oculto de extrema importância e eu vou descobrir o que é nem que leva minha vida inteira, o que não deve ser muito, já que o mundo vai virar bolor em dezembro de 2012 mesmo.

Se cuida Dan Brown!

P.S.: Como os fellows da gravadora proibiram a disponibilização do link para incorporação do vídeo aqui no blog, quem quiser apreciar a música e tentar entender o clipe, vai ter de clicar aqui.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Fim do Mundo



Como todos aqueles minimamente informados sabem o FdM (ou, fim do mundo) está, finalmente, e inexoravelmente, próximo. Em 21 de dezembro 2012 pela manhã (se não der praia).

Então resolvi buscar uma explicação nas palavras daquele que nos tem brindado com suas previsões há séculos.

Consta na 11a centúria do profeta Noscagamos que:

No dia em que o trovão espantar do ninho a grande águia
E que seus filhotes famintos atacarem a casa do Papa
Dois irmãos, imponentes em seus tronos, sucumbirão
E as planícies em fogo serão consumidas pelo caos.



Por outro lado:

O tigre, ávido pelo leite da cabra
Tornará o dia em noite, e a tarde naquele período da manhã em que não amanheceu, mas também não está completamente escuro
E os Reis e Rainhas das terras longínquas
Chorarão a perda de seus sapatos de baile.


Enfim:

O fogo e o caos tomarão o reino dos justos
Quando estes estiverem ocupados olhando o leite ferver
E os céus se abrirão
E todas as pessoas, ou coisas, se tornarão mais brilhantes por um momento, enquanto a estrela brilhar sobre a mais alta montanha, e todos aqueles que forem iluminados pela sua luz se regozijarão diante do fim de tudo, ou ao menos de tudo aquilo que conhecem, ou pelo menos daquelas coisas que eles conseguem ver pela janela no finzinho da tarde quando já terminaram seus afazeres domésticos, mas um pouquinho antes da novela, talvez uns 30 ou 40 minutos antes, e tudo aquilo que for ou tenha sido um dia não mais será aquilo que achamos que eram na época que eles eram de fato alguma coisa, e nesse momento saberão o significado de tudo, tudo mesmo, não só aquelas coisas que viram da janela, como já foi explicado anteriormente.
(*)

(*) Este verso é, definitivamente, o segundo maior escrito pelo profeta, segundo o historiador Pierre Sanfona.

Como vocês podem ver, está tudo muito claro nos textos de Noscagamos. Só não vê quem não quer.

O problema é que, devido ao fato de suas profecias só serem associadas aos fatos depois dos mesmos já terem acontecido, teremos um problema, já que, após o FdM não deverá haver ninguém para confirmá-las.

Talvez as baratas, mas ouvi falar que elas não gostam de versos.

P.S.: Na verdade, tive estes delírios enquanto escrevia um comentário para este texto do Championship Vinyl aqui. Aí resolvi que estava bom para publicar, considerando que, diante do marasmo que reina neste blog, talvez meu conceito de "bom" tenha sofrido uma queda considerável.

domingo, 11 de outubro de 2009

1001 Covers

Há quem goste deles, outros que os considerem um desrespeito.

Há os reverentes e obedientes, enquanto outros são subversivos, ou até mesmo debochados.

Quando se fala de covers (releituras de sucessos musicais), as opiniões podem divergir, mesmo entre os admiradores desta arte.

Afinal de contas, é heresia gostar mais de um cover dos Beatles do que da versão original? Particularmente, a minha resposta é não. Embora seja admirador de carteirinha dos Fab4, não tenho este tipo de pudores e preconceitos (inclusive tenho uns bons exemplos de covers deles que considero melhores que os originais). Mas pode ser que você esteja aí espumando de raiva e pensando em lançar uma fatwa contra mim, por abrir essa minha boca suja para falar uma besteira dessas.

É a esse tipo de reação que estou me referindo.

Enfim, o motivo da ladainha é que fui mui gentilmente convidado pelos amigos blogosféricos do 1001 Covers para contribuir com sua nobre missão de chegar ao número de 1001 (nossa, quem diria?!) indicações de versões musicais dignas de nota, tornando-se um reposítório deste tipo de informação na rede.

Pode ser até que você ache a idéia uma baita besteira, mas eu achei muito legal e aconselho a todas as três ou quatro pessoas que passam por aqui de vez em quando a nos fazer uma visita lá.

Quem sabe até você goste?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Groucho Marx e os Tribalistas

Não é de hoje que eu tenho implicância com o conceito de tribos. Nada contra os brasileiros nativos (de pés descalços ou de havaianas). O alvo de minha implicância são as famosas tribos urbanas.

Esse conceito de ajuntamento de pessoas com mesmos objetivos e crenças que, teoricamente, não tem nada de mais e, pelo contrário, está na base da criação das sociedades civilizadas. Mas a coisa começa a desandar quando o conceito de tribo esbarra na tal da rebeldia.

É super radical ser punk, ou metaleiro, ou skatista, ou qualquer outro grupo de pessoas que nadam contra corrente e são contra-tudo-isso-que-está-aí.

Só que, da forma como enxergo, esses grupos acabam sendo ultra-reacionários e conservadores. Na verdade, mais conservadores do que o pessoal da TFP.

Por exemplo: digamos que você tenha um emprego bem convencional, daqueles que te obriga a ir arrumadinho para o trabalho e coisa e tal. Digamos que você trabalhe em um banco. Só que, por trás dessa carcaça mauricinha, você é um grande fã de metal. Daqueles que conhecem profundamente desde os medalhões do estilo, até aquela bandinha croata de Power-death-thrash-metal.

Então você decide, todo animado, a ir a um show do Pantera. Só que você teve de trabalhar até tarde e vai direto para o show sem ter tempo de ir em casa colocar sua fantasia de metaleiro. Calça social, camisa para dentro da calça, cabelo cortado, sabe o tipo? Então...

Bom, no meu mundo ideal, um metaleiro de raiz ia ver esse cara durante o show e dizer:

- Pô cara! Se eu cruzasse com você na rua, nunca ia adivinhar ia te encontrar aqui. Legal você curtir esse som também!

Mas, enquanto isso no mundo real:

- Que qui tu ta fazendo aqui, mauricinho?! Que qui tu entende disso?! Vai pra casa escutar pop seu playboyzinho de merda! Sai daqui antes que a gente quebre os seus dentes.

Bom, ele pode até não falar isso, mas vai pensar. A não ser, talvez, aquela parte dos dentes quebrados (pode ser que ele seja mais do tipo que quebra pernas, vai saber...).

Donde se conclui que até para ser rebelde você tem de seguir o manual.

Ou seja, se você quiser ser aceito como metaleiro, você tem de se vestir de preto, ter cabelo comprido (preferencialmente barba também), tatuagem, se comportar da forma X, falar da forma Y e andar do jeito Z (substitua “metaleiro”por qualquer outra tribo “rebelde” e continua sendo verdade). Ou, no mínimo obedecer a um número mínimo de regras deste conjunto (esse número mínimo deve ser estabelecido por algum órgão do tipo Sindimetal, ou Ordem dos Headbangers do Brasil).

Porra! Tem mais regras do que para se filiar ao Iate Clube.

Que rebeldia é essa que te entrega, ainda na entrada do círculo tribal, um manualzinho com dezenas de regras que você tem de obedecer à risca, sob pena de ser expulso da tribo com desonra e sob apedrejamento (Connor McLeod mode: on).

Rebeldia pode até ser ir de coturno e calça rasgada ao Teatro Municipal, mas também é (talvez muito mais) ir de smoking ao show de punk rock. Rebeldia é fazer as coisas como e quando quiser, e não seguir um monte de regras babacas.

Ahn? O que Groucho Marx tem com essa história?!

Boa Pergunta.

É que, em relação a este assunto, eu sigo a máxima marxista (do Groucho claro, não daquele outro barbudo carrancudo) de que eu nunca entraria para um clube que me aceitasse como sócio.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cast away

No meio do nada, ondas de quase 3 metros, turno da madrugada, previsão de piora para os próximos dias e uma longa semana pela frente.

Pelo menos posso escrever aqui para espantar o tédio, o que seria bem melhor se eu estivesse inpirado para escrever algo que tornasse a vida de alguém melhor. Ao menos a minha...

Será que minha mensagem na garrafa vai alcançar alguém?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Grace

Jeff Buckley teve uma morte prematura: enquanto aguardava a chegada de sua banda em Memphis, para a gravação do que seria seu segundo álbum, afogou-se ao nadar em um rio em 1997, aos 30 anos de idade.

Mas sua primeira obra, Grace, foi suficiente para deixar uma marca na história da música popular do século XX. Tido como uma das grandes promessas daquele fim de século, infelizmente a morte o impediu de deixar outras provas de seu talento.

Deixo aqui um vídeo (na verdade, uma colagem de fotos) da faixa título de seu único álbum lançado em vida. Considero uma música belíssima. Muito intensa, com uma de letra que, irônicamente, fala sobre o momento da morte.



"Grace" (Jeff Buckley)

there's the moon asking to stay
long enough for the clouds to fly me away
well it's my time coming, i'm not afraid to die
my fading voice sings of love,
but she cries to the clicking of time
oh, time

wait in the fire...

and she weeps on my arm
walking to the bright lights in sorrow
oh drink a bit of wine we both might go tomorrow
oh my love

and the rain is falling and i believe
my time has come
it reminds me of the pain
i might leave
leave behind

wait in the fire...

and i feel them drown my name
so easy to know and forget with this kiss
i'm not afraid to go but it goes so slow

E, aproveitando a onda, outra de minhas preferidas: Mojo Pin, em versão ao vivo.



"Mojo pin" (Jeff Buckley)

I'm lying in my bed
The blanket is warm
This body will never be
Safe from harm
Still feel your hair
Black ribbons of coal
Touch my skin
To keep me whole....

Oh...if only you'd come back to me..
If you laid at my side...
Wouldn't need no Mojo Pin
To keep me satisfied...

Don't wanna weep for you
Don't wanna know
I'm blind and tortured
The white horses flow (horse has flown)
Memories fire
The rhythms fall slow
Black beauty I love you so....

Uh precious precious silver and gold
And pearls in oyster's flesh
Drop down we two to serve and pray to love
Born again from the rhythm
Screaming down from heaven
Ageless, ageless and I'm there in your arms......

Don't wanna weep for you
I don't wanna know
I'm blind and tortured
The white horses flow
The memories fire
The rhythms fall slow..
Black beauty I love you so....so..so..so...

Dah........

Oh the welts of your scorn, my love
Give me more
Send whips of opinion down my back
Give me more
Well it's you I've waited my life to see
It's you I've searched so hard for....

Don't wanna weep for you
Don't wanna know
I'm blind and tortured
The white horses flow (horse has flown)
The memories fire
The rhythms fall slow..
Black beauty I love you so.....so...black black black beauty.....